Processo de criação
Durante o mês que antecede a Casa Ponte, estamos nos encontrando online duas vezes por semana para destilarmos o que cada uma de nós quer criar, nesse processo estamos indo juntas em estado líquido. Abaixo estão alguns relatos da nossa jornada.
Queridas mulheres,
Quero compartilhar que esse mês de preparação casa ponte que estamos fazendo está sendo o mês mais liquido da minha vida. Eu nunca me senti tão liquida e as coisas nunca se moveram e se transformaram tão rápido dentro e fora de mim. Todo esse movimento trouxe a tona muitas sombras. Ontem eu descobri um mecanismo de mundo de fantasia que estava ainda não intenso e comendo a minha vivacidade e vontade de criar que eu fiquei chocada. Porque justamente de dentro desse mecanismo eu não podia parar, eu estava sempre tentando e me sentindo incompleta, insuficiente. É como se a minha energia não pudesse fluir para baixo e para as pernas, a imagem que eu tenho é a de um hamster numa roda, eternamente correndo e eternamente cansado. E o "contrário" disso era uma sensação intensa de prazer, alegria e prazer sexual mesmo de existir, de ter um corpo e me sentir dentro desse corpo. É como se eu fosse enlouquecer quando eu estou totalmente dentro do corpo porque eu vou explodir. E no espaço em que eu cheguei nessa clareza de como funciona esse mundo de fantasia x pantano eu não consegui avançar muito porque era breve, mas eu pude ver outras vidas em que isso acontecia também. Eu consegui chegar nesse lugar, nessa clareza depois que eu cai enquanto eu tava pegando lençóis do varal (achei simbólico, já que estou amparando espaço para os lençóis) e eu bati a testa, está toda vermelha e dolorida. Mas a sensação foi de que eu precisava daquele choque para voltar pro meu corpo, pra perceber como meu gremlin usa o medo pra me fazer ficar fritando e tentando sem parar conseguir algo. Nessa vida isso tem a ver com a minha mãe e com sair de casa. É como se eu quisesse sair sem ocupar o meu corpo e eu só consigo se eu ocupar o meu corpo, o meu espaço de onde eu estou. Umas das frases que encontrei foi a de que "isso não deveria estar acontecendo comigo", desde de os meus 5 meses eu penso isso e eu fugo das sensações que estar aqui agora me trazem.Hoje eu cometi mais um erro, eu fui para um lugar na hora errada e não consegui nada que era necessário, um negócio de um exame que preciso fazer pra resolver um dente meu no dentista. E a vida ao redor de mim ria, e dizia é isso mesmo continua, se acostume a errar, porque dentro da rodinha do hamster não existe lugar de erro, não posso errar e não posso parar, é horrível.Eu sinto alegria porque eu consegui publicar um podcast que eu gravei ano passado com uma amiga e ele é sobre um livro que fala justamente sobre isso, esses atravessamentos da vida e o que eu descobri é que a vida atravessa, em um acidente, uma morte algo do qual não dá pra fugir porque isso trás pro corpo de novo a presença e a energia que estava fora. Se alguém quiser ouvir está aqui: https://encr.pw/4A7lCSinto medo de compartilhar assim de tão dentro do processo e ser muito estranho ou incompreensível. Mas compartilho também porque eu quero saber como está para vocês esses dias, essas semanas? O que vocês estão percebendo, experienciando?"
Jaqueline Sampaio
"Quero explorar junto a renegociação de intimidade, a renegociação dos acordos e checar as letras miúdas dos contratos. Como cavitar espaço dentro do relacionamento, sem estar certa e sem fazer drama, pra abrir espaço pra transformação/novo/magia.
Quero descobrir como criar/cavitar um espaço físico fluido para adultos, crianças, idosos, animais (vila?) onde haja espaço para o encontro de todos, onde haja espaços específico para a necessidade de cada um, onde não precise se separar e onde, quando queira ter espaços separados, tenha amparamento REAL, e não exclusão ou achar como se livrar de um problema."
Camiele
"Eu quero amparar espaço para o Mistério no pequeno agora, em conexão com as Mulheres de Fogo. Um espaço vazio para a criação e a exploração fluirem livremente. Para que a energia da Casa Ponte, do território, das forças da natureza nos comunique a experiência a ser vivida, o próximo passo. Eu quero amparar espaço para as Mulheres de Fogo darem um passo juntas, sem nenhuma certeza sobre o pedaço de chão aonde os pés alcançarão. Quero amparar espaço para darmos o passo juntas, sem garantia. Para tirarmos juntas os pés do chão. Sem certezas sobre o solo que se materializará. Mas unidas no movimento. Quero amparar espaço para que outras pessoas visitem a Casa Ponte. Quero quebrar a fantasia de mundos diferentes, separados, apartados. Quero conectar a Casa Ponte com o território, e quero conectar o território e seus seres com a Casa Ponte. Quero sustentar o contexto de escuta profunda, intimidade e troca para receber pessoas de diferentes idades e origens. Anciães, crianças, homens, mulheres. Quero tecer Vila na Casa Ponte & no território. Quero trazer diversidade e conexões inusitadas para o espaço da Casa Ponte. Quero me abrir para que as histórias do território cheguem até nós. Para que a Terra fale conosco. Para que as pessoas e os seres que habitam o território da Casa Ponte nos comuniquem lendas e aprendizados da Terra onde pisaremos. Quero ser ponte entre as histórias que brotaram no território onde estaremos e nós, Mulheres de Fogo. Quero explorar o tempo e os elementos da natureza com outras Mulheres de Fogo. Quero estar em intimidade com outras Mulheres de Fogo no desconhecido – navegando no desconhecido da natureza. Quero experimentar na água. Quero experenciar sentir com as Mulheres de Fogo na água. Quero perceber o percorrer do tempo não-cronológico durante os dias – e as belezas de cada estágio do sol e da lua ao longo do dia. Quero experimentar práticas diárias nos diferentes tempos (sob a luz do sol e da lua) ao ar livre: experimentar como o momento do dia impacta a criação e como o espaço na natureza impacta o fluxo criativo. Quero experimentar criar na natureza o que estou acostumada a fazer entre quatro paredes. Quero ressignificar a cozinha como um espaço de alquimia profunda. Quero um dia de “cozinha sem pressa”, sem pressão do tempo cronológico. De mãos poderosas de Fogo que, juntas, criam poções nutritivas, sem roteiro. Com espontaneidade e autenticidade. Quero que a raiva, o medo, a tristeza e a alegria de cada Mulher de Fogo sejam elementos mágicos da refeição a ser preparada."
Andrea
Queridas Mulheres,
Enquanto estou montando o site eu penso em vocês! Estou em São Paulo, num pequeno apartamento, ouço os carros da minha janela e me pergunto, o que estou fazendo aqui? Não porque é um erro estar aqui, pergunto com curiosidade e isso me dá mais possibilidades além do certo e errado. Achei que não sentiria conexão com Gaia em meio ao caos da cidade grande, me enganei. Ainda posso falar com ela. Ultimamente tenho sentido tanta tristeza e medo pelo futuro de Gaia, sinto raiva e tristeza sobre os seres humanos estarem destruindo a vida no planeta e estarem tão anestesiados para isso, penso nas espécies de animas sendo extintos por dia, na quantidade de plástico produzido, nas empresas de Coca-Cola poluindo as nascentes dos rios, do agronegócio destruindo as floresta e chamamos isso de evolução. Como é possível seguir a vida normalmente como se nada tivesse acontecendo? Não posso e não quero aceitar que isso seja normal ou natural.
Aqui em São Paulo as coisas parecem ainda mais contraditórias, porque as pessoas precisam se anestesiar quase que 100% para viver uma vida de estresses como se elas não tivessem escolha, essas pessoas estão mesmo acreditando nessa história.
Quando penso nessas coisas meu coração fica quebrado, começo a chorar, e pergunto a Gaia: o que eu posso fazer? E ela me diz que eu sou Gaia, que vocês são Gaia, e o que posso fazer é estar desperta com outras mulheres. Fazer o que precisa ser feito na simplicidade que se é. Eu posso falar com as outras mulheres, posso falar com vocês e dizer o quanto eu me importo que você sinta raiva, que você deixe a sua semente falar e crie a vida que é possível viver. Gaia celebra cada passo"
Danielle Barros
"Para a Casa Ponte Mulheres de Fogo eu quero explorar como manter a minha integridade intacta enquanto junto de outra mulher, como sustentar espaço para tantas experiencias únicas, que são cada mulher, dentro de um mesmo contexto e espaço. Eu quero ir além das regras estabelecidas, dos roteiros criados. Quero amparar espaço para as mulheres estarem na realidade experiencial, onde todas as coisas podem ser criadas e transformadas. É impossível compreender ou explicar a sua realidade experiencial apenas através das palavras, mas eu pressinto que quando duas pessoas chegam a realidade experiencial juntas elas conseguem se comunicar de outras formas a partir de lá e a comunicação pode ser compreendida, decodificada pelos cinco corpos."
Jaqueline Sampaio
"Para crescer, descobrir o que eu vim fazer aqui e destilar meu maior potencial, eu quero estar com meu detector de histórias afinado, para detectar histórias que meu Gremlin cria em parceria com a minha caixa. Então aqui está a primeira fase do processo com o Detector de Histórias: Ao detectar, eu ouço um grande “BEEEP!” e então pego o meu Beep! Book e coloco ali a história. Essa história, que sem o detector de histórias, estaria passando despercebida e estaria sendo usada para manipular minha relação com a realidade, fazer drama baixo, me desconectar do meu propósito e de outros seres humanos, agora foi capturada e armazenada dentro do Beep! Book, com o propósito de me servir. A segunda fase desse processo é o compartilhamento vulnerável, sincero e radicalmente responsável das histórias capturadas. Proponho termos momentos diários nessa Casa Ponte para compartilhar as histórias que quase nos capturaram, mas que, nós capturamos antes que elas fossem capazes de fazer estragos. A terceira fase é opcional mas muito recomendada. Após os compartilhamentos diários, logo ficará evidente que as histórias não são aleatórias. Todas as histórias de um individuo seguem a mesma natureza, pois vem do mesmo lugar: O seu Gremlin ou/e caixa. A terceira fase é descobrir o ponto de origem das histórias, através de Processos de Cura Emocional. Esses processos podem acontecer dentro da casa quando uma mulher desejar faze-lo e encontrar outra mulher que quer amparar esse espaço"
Fabiana